Quando
meus filhos eram pequenos, fiz questão de lhes ensinar o português. porém quando
se tornaram adolescentes, o vocabulário ficou um pouco restrito. No colégio eles estudavam tudo em inglês e como seus amigos não falavam português, o
inglês avançou e o português ficou estagnado. Tentei investir em livros, já que
ambos gostavam de ler, porém os livros interessantes para essa faixa etária lhes tomavam mais tempo para ler e acabaram desistindo. Não houve forma de incentivá-los. Para minha surpresa, 8 anos mais tarde, minha filha, por conta própria, começou a se interessar não só pelo idioma, como também pelo Brasil e sua cultura.
Compartilho aqui o relato da minha filhota e as dicas que ela dá para quem deseja aprimorar o idioma. Procurei deixar o
texto conforme ela escreveu, fazendo apenas correções onde a frase não estava clara; ou seja, sem corrigir a ortografia ou a gramática, para que vocês possam ver o seu nível.
“No
começo, foi só um interesse em conhecer a cultura com que eu fui criada, mas
que não tive demais contato durante a minha vida. Cresci com histórias da
beleza do Brasil, da riqueza da alma do povo - uma visão clara e romantizada,
mas que me fez procurar conhecê-la.
Eu sempre
tive um amor pela música e foi assim que comecei a embarcar na minha busca. Foi
assim que encontrei artistas que eu gostava, e continuei escutando suas canções
em todas as partes. Hoje em dia, os meu playlists contêm 50% de música em
português, a maioria brasileira mas também de Angola, Cabo verde, e Portugal,
uns 30% em espanhol, e somente 20% em inglês. Com muitas músicas em português,
eu tento achar a letra delas para melhorar o meu entendimento do idioma e também das palavras contidas na música.
A música
não foi o fim. Eu sempre adorei literatura, então comecei a buscar livros de
meu interesse, para ler. Li primeiro os Capitães de Areia de
Jorge Amado, e daí, Nós Matamos o Cão-Tinhoso, do autor
moçambicano Luis Bernardo Hondwana. Na universidade, procurei ler
também artigos em português (quando tinha), e quando tive oportunidade, fiz
também um curso em português que me forçou a usar o idioma não só
para conversar, como também para escrever ensaios.
Comecei também a ajudar brasileiros que
estão aprendendo inglês pela internet, em um site chamado Tandem. Isso não só
melhorou o meu português, como também me deu a oportunidade de ver as diferenças
entre os dois idiomas e perceber que a minha personalidade e o jeito em que eu
me expresso é diferente quando falo português e quando eu falo inglês. E eu
gostava de como me sentia quando falava português. Me sentia mais aberta, mais
expressiva, com mais confiança em mim mesma. E então a minha imersão no
idioma foi mais além.
Quando
estava no caminho para algum lugar ou sozinha fazendo algo, escutava podcasts
em português, sobre assuntos que gostava, como a Caixa de Histórias,
onde leem histórias e aí conversam sobre livros populares em português.
Também
costumava assistir vídeos no youtube, em português e procurava guardar um
diário (em português) pelo menos em alguns dias da semana. Hoje em dia já não
guardo mais, mas a cada manhã, quando faço a minha lista de tarefas pro dia, faço
um esforço para escrevê-la em português.
Acabei me
interessando ainda mais pela cultura, quando comecei a dançar zouk e procurei
ler sobre a dança e os profissionais, em português e não só em inglês. Comecei
a assistir jogos de futebol do Brasil, com comentários em português e aprendi a
entendê-los, mesmo falando com uma
rapidez danada. No instagram, criei uma conta em que quase só segui
brasileiros. No meu laptop, mudei o idioma padrão para o português. Comecei a
cozinhar comida brasileira e quando procurava as receitas, procurava em
português.
Hoje,
vivo cercada pelo português, mesmo sem ter quase ninguém com quem falar o
idioma. Converso com a minha mãe quase todos os dias e assim posso praticar a
fala. Escuto música, leio livros, danço e crio listas pro dia, em português.
Quando escrevo algo que não quero que ninguém a minha volta entenda, uso o
português. Quando estou na rua, escuto português. Quando fico horas no Facebook
ou no Instagram, é tudo em português.
Esses são
alguns sites que eu uso para aprimorar o idioma, embora, já não use muito no
momento.
Na
verdade, foi só quando criei, pra mim mesma, um ambiente cheio de português,
que eu comecei a entender a importância do idioma para mim, bem como a minha
cultura. Foi aí que percebi o quanto eu adoro o português.
E aqui
tem sites pra ajudar na pesquisa de música, podcasts, vídeos, conteúdo, etc. em português:
Agradeço de coração a todos os envolvidos nestes sites.